sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Laminite (aguamento)


É uma inflamação das lâminas dos cascos , sendo caracterizada por uma doença vascular periférica que se manifesta por uma diminuição da perfusão vascular no interior da pata, formação de desvios (shunting) arteriovenosos , necrose , isquemia das laminas coriônicas e dor.
A fase aguda se inicia com a claudicação(manqueira) e dura por períodos variáveis, dependendo de quando ocorre a rotação da falange distal.
Todos os quatro membros podem ser afetados mas na maioria das vezes só os anteriores estão comprometidos. Dor intensa , cascos quentes e pulso digital são os sintomas mais comuns.
a fase crônica começa quando há evidência de rotação da falange .
Esta fase pode durar semanas ou a vida toda, sendo caracterizada por claudicação intermitente ou contínua e por padrões divergentes da parede do casco.

Etiologia ( causas) :

1- Super alimentação : grãos e pastos verdes e viçosos
2- Ingestão de água fria
3- Trauma
4- Infecções sistêmicas
5- Terapias com corticosteróides
1a- Laminite por ingestão excessiva de grãos :
O excesso de grãos ou concentrados maior do que pode ser tolerado , podem ocasionar laminite e os sintomas podem aparecer de repente .
Os grãos mais envolvidos são milho , trigo e cevada, a aveia geralmente não causa problemas tão graves e estes podem não existir.
O excesso de carbohidratos altera o equilíbrio bacteriano no interior do ceco resultando em um aumento das bactéria produtoras de ácido láctico principalmente lactobacilos e estreptococos .
Este aumento do ácido e diminuição do Ph quebram a parede celular das bactérias gram. Negativas resultando na liberação de lipopolissacarídeos vasoativos (endotoxinas) .
A combinação do Ph diminuído e aumento da concentração de endotoxinas são responsáveis pela alteração na barreira da mucosa permitindo a absorção destas substâncias para a circulação sistêmica.
As endotoxinas e o ácido possuem um efeito sistêmico profundo e o ácido contribui para o início da laminite .
As alterações no nível de ácido e endotoxinas ocorrem nas primeiras 3 h após a sobrecarga de carbohidratos, sendo que a claudicação é observada de 16 a 24 h após a ingestão.
2a- Laminite por ingestão de grandes quantidade de água fria :
Ingestão por um cavalo quente pode potencializar a laminite .
Pode ser devido a gastroenterite ou colite.
Os cavalos após um exercício devem beber pouca água até que tenham esfriado.
3a- Laminite por concussão :
Resulta de um trabalho pesado ou rápido em superfície dura.
Os animais não condicionados fisicamente estão mais sujeitos a este tipo, assim como os que possuem a parede do casco e sola finas.
4a- Laminite por endometrite ou infecções sistêmicas graves :
Seqüela de infecção generalizada(retenção de partes das membranas fetais ou infecção uterina,, pneumonia ou inf. Sistêmicas)
5a- Laminite por obesidade e ingestão de pasto viçoso
É comum nos que pastam durante o verão(trevo e alfafa são mais problemáticos )
E geralmente os animais estão obesos .

Tratamento :

Vasodilatadores e tranqüilizantes – baixas dose e alta freqüência
Vasomoduladores
Anticoagulantes
Anti-inflamatórios não esteroidais
Antibióticoterapia – caso for de origem bacteriana
Anti-histaminícos – nas primeiras 24 horas
Doses anti-toxêmicas de anti-inflamatório
Cama de areia
Exercício moderado



Dr. Fabio Mendes Prates

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Acupuntura eqüina


A acupuntura é uma técnica milenar de origem chinesa (também aplicada pelos indianos e egípcios) que consiste na aplicação de agulhas em pontos específicos do corpo, para obter efeito terapêutico. Essas agulhas provocam estímulos que levam o organismo a uma resposta, causando a cura de certas doenças, ou ao menos o controle da mesma, determinando um quadro de bem-estar físico e emocional/psíquico. Esta técnica de tratamento vem crescendo e muito tanto na medicina humana quanto veterinária. A acupuntura é muito usada em associação com a medicina alopática (que faz uso de drogas e fármacos), na chamada medicina integrativa. Nossa equipe foi até o Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil, em Canoas, no RS, ver como funciona e quando é indicado a acupuntura nos cavalos.


Como você pode ver no vídeo acima, nossa "cobaia" está completamente relaxada. Essa agulha aí na testa da Áurea, nossa modelo, está no ponto VG20, ou seja, no ponto Bauhui, local calmante e sedativo. A sonolência é desencadeada pela liberação de certas substâncias neuroquímicas que o organismo produz mediante os estímulos da acupuntura. Durante toda a gravação ela ficou assim, complemtamente sonolenta, quase cochilando. Na figura abaixo, você pode ver a localização exata do ponto. O número 1 mostra um triângulo, e o Bauhui fica na ponta superior.


Dentre as principais doenças tratadas em acupuntura eqüina as mais freqüentes são as associadas a problemas locomotores, osteomusculares e de performance atlética. Mas há outros sistemas que não o locomotor que se beneficiam e muito com o uso da acupuntura em cavalos, dentre eles os sistemas neurológico, imuno-endócrino, cardiovascular e, com grande destaque, o digestivo.


Fonte: http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=1&local=1&template=3948.dwt&section=Blogs&post=99449&blog=369&coldir=1&topo=3994.dwt

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Alimentação de Potros Órfãos


Um dos grandes mitos da criação de cavalos é referente à criação de potros órfãos. Muitos ainda acreditam que potro que fica órfão, não vai para frente. Esse mito é decorrente do desconhecimento do que é uma boa alimentação para o potro e de como ele deve ser manejado adequadamente desde o final da gestação.

O nascimento do potro é um evento que pode ser natural ou traumático, dependendo das condições da mãe e do meio ambiente.

Uma égua magra demais provavelmente produzirá um potro frágil. Uma égua com excesso de peso terá dificuldade no parto, devido a um estreitamento do canal pélvico pela gordura, o que deverá causar uma dificuldade no parto, provocando anóxia no recém nascido, que obviamente prejudica o novo ser que tenta vir ao mundo. Além disso, uma égua com excesso de peso, assim como a magra demais, tem uma produção leiteira prejudicada, sendo a primeira por acúmulo de gordura em sua glândula mamária, e a segunda por deficiência nutricional para produzir leite.

Na primeira fase do potro, que vai do nascimento até as 18 horas no pós-parto, alguns cuidados iniciais são fundamentais para a sobrevivência do potro.

O potro deve ser limpo pela égua e tentar levantar sozinho, o que ele faz nos primeiros minutos após o nascimento.

Como a maioria dos partos se dá durante a noite, ao amanhecer o potro já deverá estar de pé e mamando o primeiro leite, chamado colostro e de fundamental importância para sua sobrevivência. O colostro é um leite riquíssimo em anticorpos e o aparelho digestivo do potro, até 18 horas após o nascimento, é permeável à absorção destes anticorpos. Após a 18ª hora do nascimento, diminui consideravelmente esta permeabilidade do aparelho digestivo do potro além do leite materno também perder suas qualidades imunológicas.

Para os potros que perdem sua mãe ainda na fase de amamentação, devemos ter alguns cuidados especiais.

Nos casos de óbito da mãe no momento do parto, o potro órfão não terá colostro materno disponível. Deve-se então providenciar, para administração imediata, um colostro de outra égua, que pode ser congelado e reaquecido no momento do fornecimento. Caso não se tenha disponível na propriedade este colostro, deve-se procurar em algum outro haras que possua um banco de colostro para a proteção imediata do potro sob risco de vida para o mesmo.

A alimentação do potro inicia-se já na barriga da mãe, desde o terço final da gestação, continuando através da égua até o desmame.

A partir do desmame devemos ter uma alimentação diferenciada exclusiva para ele, pois a velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves o peso ao nascimento representa 9 a10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês.

Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio ótimo é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses, havendo variações conforme a raça.

Ao nascer, o potro já apresenta uma altura considerável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando 95% de sua altura máxima aos 24 meses e crescimento final máximo aos 60 meses, com pequenas diferenças entre os sexos, sendo a fêmea mais tardia, havendo pequenas variações conforme a raça.

A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido, sobretudo em termos de estrutura óssea e muscular, sem acúmulo de gorduras de reserva. Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate.

Toda carência ou desequilíbrio da dieta acarreta um atraso ou mesmo uma situação irreversível no desenvolvimento do animal.

Do terço final da gestação até o 3º mês de vida do potro, este se alimenta exclusivamente através de sua mãe. Na gestação obviamente pelos nutrientes recebidos via sanguínea e, no inicio da lactação, através do leite. Até o 3º mês de vida do potro, seu aparelho digestivo não está apto a receber e processar alimentos grosseiros, assim como sua dentição. Desta forma, todo e qualquer alimento que não seja leite ofertado ao potro, vai servir mais como adaptação que propriamente como fonte de nutrientes para o animal. Após o 3º mês de vida já se inicia o aproveitamento de nutrientes de alimentação mais grosseira e fibrosa, estando desta forma, o potro apto a aproveitar os nutrientes oriundos de uma ração concentrada e do volumoso disponível.

Desta forma, no caso de potros órfãos antes do 3º mês de vida se torna imprescindível uma alimentação láctea para propiciar um bom crescimento e bom desenvolvimento do potro.

Há a possibilidade de se utilizar amas de leite (figura 1), que podem ser éguas recém paridas que podem adotar este potro órfão. Elas geralmente aceitam bem o potro. Devemos fazer com que este cheire como a égua, ao menos no início da “apresentação”. Podemos recobrir o potro com fezes, urina, leite, suor ou mesmo fluídos placentários da égua adotiva. A maioria aceita o potro em 24 horas.

Caso não seja possível a utilização de uma ama de leite, podem-se utilizar sucedâneos do leite de égua utilizando-se leite de vaca ou cabra, diluindo-se duas partes de leite para uma parte de água e adicionando-se dextrose (cerca de 2%). O leite de vaca tem um valor mais elevado de gordura e menor teor de proteína, daí a necessidade de se fazer esta mistura. Este leite pode ser oferecido em mamadeira ou em balde (Figura 2), sendo que a maioria dos potros pega bem o balde, facilitando muito o manejo.

Deve-se oferecer uma quantidade próxima daquela que a mãe estaria ofertando, 18 a 20 litros para potros de raças leves e 23 a 28 para potros de raças pesadas, iniciando-se com 14 litros ao nascimento e adicionando-se 01 litro por semana até a quantidade necessária, de 20% do peso do potro em leite.

Nas duas primeiras semanas oferecer a cada 4 horas, dia e noite, e após este período, pode-se dividir o total pelo período diurno (entre 6 da manhã e 8 da noite), até os 4 ou 5 meses, quando o animal será desmamado.

Lembre-se de, a partir do 3º mês de idade, sempre deixar volumoso e concentrado disponível ao animal para que ele possa se adaptar gradualmente a alimentos sólidos.

O não fornecimento de alimentação adequada ao potro órfão em qualquer momento nos 12 primeiros meses de vida compromete, em geral em definitivo, seu crescimento e desenvolvimento.

A partir do 4º mês de idade, dependendo do estado geral do animal e de sua adaptação à alimentação sólida, como volumoso e ração, pode-se iniciar o desmame do potro, reduzindo-se o leite 25% a cada semana, de forma que em 4 semanas o potro esteja totalmente desmamado. Muitas vezes, após as duas primeiras semanas do inicio do desmame, os potros já passam a preferir a alimentação sólida rejeitando o leite, quando se pode então cessar por completo o fornecimento deste leite.

Um procedimento muito importante para o futuro do potro é sua convivência com outros eqüinos desde os primeiros momentos. É fundamental para a boa integridade física e mental do potro que ele possa ter como referencia outros da mesma espécie. São estes que vão ensinar ao jovem órfão o que comer, como se defender e o que é ser um cavalo.

Andre_Cintra

André Galvão Cintra

MV, Prof. Esp.

Presidente ABCC Bretão

andre@vongold.com.br

www.vongold.com.br

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mal da Segunda-Feira


por Alexandre Archanjo

O “mal da segunda-feira” ou mioglobinúria paralítica é uma miosite, um processo inflamatório, que acomete os músculos esqueléticos dos membros posteriores do cavalo, causado por acúmulo de ácido lático. Geralmente ocorre em eqüinos superalimentados com concentrado durante longo período de repouso e submetidos, posteriormente, a exercícios físicos fatigantes.

Essa miosite também pode ser chamada mioglobinúria paralítica, ou azotúria. Alguns também a chama de tying-up, rabdomiólise por esforço ou amarração, que pode ocorrer também como seqüela de processos cirúrgicos ou qualquer situação de stress do animal como cólica, doenças infecciosas, condições adversas de tempo, transporte. Aqui cabe uma consideração: Apesar de serem distúrbios similares (mecanismo, sinais, sintomas e tratamento), mioglobinúria paralítica é uma patologia diferente de amarração; a primeira moléstia é grave e a segunda branda. Outras diferenças são vistas na clínica (intensidade de sinais clínicos) e na microscopia (histopatologia). Considerações feitas vamos ao mecanismo das miosites em questão.

Em condições de exercício intenso, o músculo trabalha em anaerobiose (produção de energia na ausência de oxigênio) e, quando está superalimentado, uma excessiva quantidade de ácido lático é produzida. O ácido lático, quando acumula nos músculos, causa necrose, com destruição da membrana das fibras musculares (miofibrilas). Com o rompimento das miofibrilas é liberada grande quantidade de mioglobina que atinge a corrente sanguínea. Além da lesão muscular, a mioglobina liberada passa pelos rins, pigmentando a urina. Esse excesso de proteína no sangue e nos rins leva à azotúria ou azotemia (aumento uréia e creatinina no sangue) e pode causar lesão renal. Lesões renais e outras alterações sistêmicas podem levar o animal a óbito.

O aumento do ácido láctico na corrente sangüínea, além das lesões musculares, causa um desequilíbrio ácido-básico no plasma levando ao aumento da freqüência respiratória, da freqüência cardíaca. Esse aumento da quantidade de ácido láctico também é responsável pelo fenômeno denominado acidose metabólica. O equilíbrio ácido-base e a acidose metabólica, assim como a insuficiência renal, são alterações importantes, mas serão tratadas em artigos posteriores.

Os primeiros sinais do “mal da segunda-feira” podem surgir logo após o exercício, porém o mais comum é sua detecção na manhã no dia posterior ao exercício forçado. Os principais sintomas são stress muscular, rigidez à locomoção (o cavalo pode assumir a posição de cachorro sentado), tremores musculares, dor, incoordenação motora, urina escura e congestão das conjuntivas. Pode ainda apresentar sudorese (suor excessivo), desidratação e aumento nas freqüências cardíaca e respiratória e aumento da temperatura, principalmente na musculatura do membro posterior.

Aos primeiros sinais um veterinário deve ser chamado uma vez que a doença pode ser fatal, dependendo da gravidade das lesões, e o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível. Além disso o veterinário indicará medidas para aliviar os sintomas e prevenir novos casos.

A prevenção ainda é a melhor saída para se evitar a ocorrência da miosite. Alguns aspectos são importantes: a alimentação do cavalo deve ser predominantemente composta por verde (capim ou feno de boa qualidade), evitando excesso de concentrado (diminuindo da quantidade oferecida durante os dias em que o cavalo não é trabalhado); trabalhar o animal em dias alternados, pelo menos 20 minutos diários de liberdade ou trabalho ao cabresto (somente quando não for possível a liberdade); fornecer suplementação com vitamina E e Selênio. Deve-se, além de tudo, contar com um veterinário especializado para avaliação dos animais antes de iniciar um treinamento e respeitar suas orientações de treinamento e manejo. Se, com todos esses cuidados, seu cavalo ainda apresentar o mal da segunda-feira, comunique com o veterinário e respeite, sem ansiedade, o período de recuperação.

A grande maioria dos casos de miosite é provocada pelo homem, por desconhecimento ou ansiedade por resultados (ou dinheiro). O mais importante é respeitar os limites do cavalo. Ao inocente, é importante salientar que o cavalo tem boa memória e associa as sensações a quem lida com ele. Se você exaurir ou cavalo toda vez que o monta ele vai associar você ao estresse e não vai estar disposto a ser montado e a colaborar. Você então passa a ter uma vítima e não um amigo.

Aos demais, muito cuidado. Se a ânsia é por resultado, lembrem-se que um campeão se faz com calma e constância nos trabalhos. O corpo do cavalo tem que se adaptar aos poucos às exigências e, ainda assim, cada animal possui um limite. Se o desempenho do seu cavalo está abaixo das suas expectativas e não evolui, você deve repensar seu programa de treinamento, sob orientação profissional, ou buscar um animal com um potencial genético maior. Agora, se a ânsia é por dinheiro, vale lembrar que toda uma vida de investimentos em animal pode se esvair em um dia de treinamento mal feito. Treinar cavalos, levando-os além do limite é investimento de altíssimo risco e, quase sempre, fadado ao fracasso.

Como vimos a mioglobinúria é um distúrbio que pode ser evitado, com manejo e tratamento corretos e, acima de tudo, respeito ao cavalo. Devemos ser responsáveis ao interferir no modo de vida de outros animais para que eles não nos temam e continuem dispostos a conviver e a trilhar conosco, os caminhos de sua existência. A escolha é nossa!

Alexandre Archanjo Carneiro
Graduando em Medicina Veterinária na Universidade de Brasília – UnB.
Estagiário no Centro de Treinamento de Enduro Califórnia, Brasília – DF.
Estagiário no Hospital Escola de Grandes Animais da Universidade de Brasília – UnB.
alex_archanjo@pop.com.br

FONTE: http://www.endurancebrasil.com.br/port/tecnicas/mal_seg_feira.php

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Cavalo Roncador, um problema limitante para o "atleta"


Texto: Luiz Paulo Arantes Ramos Neto*


Frequentemente, paralisante, supostamente incurável, degenerativa e irreversível. Estes cinco adjetivos demonstram a gravidade da neuropatia laringeana recurrente (NLR), doença que pode ser hereditária ou adquirida. Ela ataca os equinos, manifestando efeitos primários e secundários.

Respiração, alimentação e sistema reprodutivo são os principais efeitos primários, enquanto sistema nervoso central, cardiovascular e músculo-esquelético são os alvos dos efeitos secundários, causados através do mecanismo de hipóxia (baixo nível de oxigênio) ao exercício.

Experimentos mais recentes revelam que a NLR hereditária é predominantemente unilateral esquerda e ocorre em 99% dos casos. A adquirida é unilateral direita. A NLR bilateral ocorre com mais frequência do que era descrito.

A hereditária esquerda, a mais diagnosticada, pode revelar as hemiparesias das cartilagens aritenóides (paralisia parcial de um lado) ou hemiplegias das aritenóides (paralisia completa de um lado). Na hereditária bilateral a doença se mostra como paraparesia das artenóides (paralisia parcial dos dois lados), paraplegia das artenóides (paralisia completa dos dois lados) ou como hemiplegia esquerda em conjunto com hemiparesia direita. A total bilateral é mais fatal que a parcial bilateral, uma vez que os animais afetados podem morrer ao nascimento, sem que a doença seja reconhecida.

Estudos recentes tem feito a relação da neuropatia laringeana, com a redução da performance e com hemorragia pulmonar induzida por exercício. O resultado é atrofia neurogênica dos músculos adutores e abdutores da laringe.

Existem sinais clínicos diretos e indiretos da doença em suas formas unilateral e bilateral, assim como fatores que podem modificar a manifestação deles. Cavalos com hemiparesias apresentarão um ou mais destes sinais, enquanto os afetados pela hemiplegia ou neuropatia bilateral irão apresentar com maior intensidade.

Confira os sinais diretos da neuropatia laringeana unilateral:

1 - Baixa tolerância ao exercício
Fadiga excessiva e prematura ao exerecício, devido a hipóxia (diminuição na concentração ou na obtenção de oxigênio). Na tentativa de buscar mais ar, os animais fazem uma extensão contínua da articulação atlanto-occiptal (ligação da cabeça-pescoço).
2. Ruído laringeano
Ao contrário do animal sadio, que não apresenta ruídos durante a inspiração ou expiração, o cavalo doente pode revelar um suave ruído, como um assobio, aparecendo mais nos exercícios leves (andar, trotar) que nos fortes (galope). Ruído forte, com um rugido (ronco), indica grave obstrução laringeana, tanto nos exercícios leves como nos fortes.
3. Sufocação
Ela ocorre geralmente durante exercícios rápidos, sendo um episódio de asfixia parcial.
Os sinais indiretos da unilateral são:
- hemorragia pulmonar induzida por exercício: O mecanismo é uma asficia parcial causada por uma obstrução nas vias aéreas superiores. Não obstante, a hemorragia pulmonar pode ocorrer na ausência de qualquer ruído laringeano ao exercício.
- medo do exercício ( exerciciofobia ): A lembrança de episódios de asfixia e dor leva os animais doentes a apresentar excessivo medo ao exercício, traduzido por nervosismo, agitação, perda de disciplina e sudorese profunda.
- morte súbita: A neuropatia laringeana pode ser a causa primária de morte súbita ao exercício, resultante de hemorragia pulmonar ou, ainda, de laringoespasmo com asfixia ou estimulação vagal com inibição cardíaca.
- deslocamento dorsal do pálato mole ao exercício: Uma das causas do problema pode ser a neuropatia laringeana; porém, alguns autores acreditam que este quadro aparece quando existe estimulação tátil pelo endoscópio.
- pleuropneumonia: Em certas condições a doença pode causar disfagia (dificuldade de deglutir) e aspiração de alimentos. Isto explica o porque de alguns cavalos desenvolverem pneumonia aspirativa durante longas cavalgadas. A pneumonia é seguida de abscessos pulmonares, pleurisia e morte. Quando o cavalo portador de neuropatia laringeana se apresentar faminto, cansado e com respiração ofegante devido a exercício extenuante, necessitará do uso da sua laringe para as funções respiratórias e digestivas simultaneamente, facilitando, assim, a aspiração de alimentos e provocando a pneumonia.

Os sinais clínicos da neuropatia laringeana bilateral são os mesmos da unilateral, exceto que a severidade da obstrução pode rapidamente chegar ao ponto de ameaça à vida e à fatalidade. Na bilateral ocorrem ataques agudos de asfixia, geralmnete desencadeados por exercícios extenuantes que resultam em respiração profunda, extensão da cabeça e, após alguns instantes, o cavalo cai, desenvolvendo movimentos convulsivos, morde a língua e urina. Depois se apresentará cianótico (mucosas arroxeadas), comatoso e quase sem fôlego. Após alguns minutos o cavalo pode recuperar a respiração, levantar, deixando a cabeça baixa e, pelas narinas, eliminar sangue vermelho vivo, decorrente de hemorragia pulmonar. Alguns fatores agem como modificadores dos sinais clínicos da doença, entre os quais:
1. Idade - Potros que mamam apresentam mais disfagia, enquanto os cavalos adultos têm mais dispnéia (dificuldade à respiração).
2. Altura e peso corporal - Animao mais pesados ou altos manifestam dispnéia ao exercício mais facilmente que os cavalos magros ou baixos com o mesmo grau da doença.
3. Espaço intramandibular - Animais afetados pela doença que possurm mandíbula larga (vias aéreas superiores largas) irão ter menos dispnéia do que os animais com o mesmo peso e altura que apresentam mandíbula estreita ( vias aéreas superiores estreitas).
4. Aptidão - Dependendo da função de cada cavalo (corrida, salto, tração, passeio,etc), vais ser esperada uma variação na intensidade dos sinais clínicos.
5. Grau de neuropatia laringeana - Os sinais clínicos vão variar dependendo se a atrofia neurogênica muscular for: a) paresia (grau I - II) ou paralisia (grau IV); b) unilateral ou bilateral, e c) abdutor (dispnéia) ou adutor (disfagia).
6. Temperatura ambiente e umidade - O estridor laringeano ao exercício parece ser diretamente proporcional tanto à temperatura quanto à umidade.
7. Grau de flexão da articulação atlanto-occiptal - Qualquer flexão desta articulação induz a uma obstrução adicional das vias aéreas superiores que irá aumentar a dispnéia induzida por exercício na neuropatia laringeana.
8. Quantidade de trabalho físico realizado - Os sinais clínicos irão variar, dependendo da velocidade e da duração do trabalho, se o solo é plano, irregular, duro ou macio, da força e direção do vento e do cavaleiro.

O QUE FAZER- O diagnóstico é baseado no histórico e nos sinais clínicos. Vários métodos são usados para diagnosticar a doença. O mais simples é a palpação laringeana. A laringoscopia é adequada tanto no diagnóstico como para graduar. Também são usados testes de exercícios, eletromiografia e o teste de condução do nervo laringeano recurrente, porém com menor frequência.
Em qualquer idade que seja indentificada a doença, esta não desaparecerá. As evidências indicam que o mal é progressivo e o grau de perda da função muscular do lado afetado provavelmente aumenta com a evolução da doença. É esperado um prognóstico ruim para animais com meuropatia laringeana unilateral severa (grau III ou mais).
Como a doença é incurável, o que pode fazer é minimizar os seus efeitos, procurando uma melhor performance. Existe duas linhas de tratamento: manejo e cirurgia, sendo que o tratamento cirúrgico apresenta resultados invariavelmente insatisfatórios, dependendo da técnica utilizada.
No tocante ao manejo recomenda-se repouco, redução de peso, evitar flexão da articulação atlanto-occpital e reconhecimento pelo proprietário e treinador do potencial limitado do animal.
Quanto à cirurgia, convém lembrar que a laringe é uma válvula e, para funcionar normalmente como uma passagem para a traquéia e esôfago, dese ser capaz de abrir e fechar. A NLR causa perda parcial ou total desta função. Não há cirurgia no músculo abdutor ou articulação cricoaritenóidea que possa restaurar as funções respirtatórias e alimentar da laringe, deixando estas independentes. Portanto, a cirurgia deve ser precedida de franca discussão sobre os riscos e limitação de cada procedimento.

ALERTA - A doença ocorre em populações suscetíveis em todas as partes do mundo, levando-se em conta as condições ambientais. No habitat selvagem há pouco ou nenhum cruzamento consanguineo. Depois que o homem assumiu a responsabilidade dos estudos genéticos do cavalo, a combinação entre consanguinidade e a insuficiência da seleção resultou no aumento considerável das doenças hereditárias em geral, incluindo a NLR, um doença causada pela domesticação.
No âmbito do criador, é importante fazer uma seleção mais rigorosa, diminuindo, assim, os cruzamentos consanguineos em famílias de animais portadores da doença. Por seu lado, o comprador deve considerar quatro ítens: pedigree, performance, conformação e exame de pré-aquisição (clínico e endoscópico).
Rev. Hippus

* O autor é médico veterinário, juiz e técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga

FONTE:
http://www.cyberhorse.com.br/vetcavroncador.htm

domingo, 16 de agosto de 2009

Como escolher um Reprodutor


Símbolo de beleza, força e virilidade o garanhão é o cartão de visitas de um haras, recebe tratamento especial, devido a sua grande importância e valor.

Hoje, existem pessoas especializadas em escolher este garanhão ainda potro, para que, no futuro, possa ser um marco na criação daquele haras, são pessoas atualizadas, conhecedoras do cavalo e de cruzamentos com visão técnica e comercial.


Alguns cavalos inteiros adultos tornam-se garanhões pelo fato de serem extremamente habilidosos em suas modalidades, colecionando inúmeras vitórias em suas carreiras sendo elas no trabalho, na corrida ou na conformação.

Outros porém tornam-se garanhões pelas simples oportunidades dadas por seus proprietários e conseguem responder à altura em suas produções, mantendo-se como grandes reprodutores.


Existem alguns itens a serem avaliados para obtermos um bom garanhão, como seguem:


— Necessariamente o animal deve ser registrado na Associação da raça, sendo de origem nacional ou importada, possuindo o maior número de bons animais em sua família. Pai, mãe, avós de excelentes pedigrees, campanhas em provas e o mais importante precisam ser produtores, que é a transmissão da carga genética das qualidades demonstradas no animal em seus produtos.

—O animal deve possuir um fenótipo (aspecto físico) preconizado pela Associação ou seja, possuir características morfológicas condizentes com o padrão da raça. Dependendo da idade, ter sido um cavalo vitorioso nas pistas mostrando sua grande aptidão, quando possível, pois inúmeros bons cavalos ficam incapacitados fisicamente para provas.


—O animal deve ter sua sanidade comprovada com exames e vacinação atualizada.
Deve ser feito um avaliação do trato reprodutivo por um médico veterinário, avaliando partes importantes como pênis, testículos presentes na bolsa escrotal, tamanho, consistência e um exame andrológico para a averiguação do sêmen, quanto à qualidade e patologias.

Estes são alguns fatores para escolher um garanhão, mas não devemos nos esquecer que garanhão nenhum produz sozinho, por isso, devemos estudar sempre os melhores cruzamentos e as características morfológicas de cada animal para assim melhorarmos sua progênie (produção).


Lembrem-se, os cavalos têm um período de vida curto, assim o reprodutor tem pouco tempo para que realmente se prove na sua função e quando seus filhos estão aprovados, este animal já estará com idade aproximada de 8 a 10 anos restando poucas temporadas de monta.


Outro detalhe importante, é que de nada adianta fazer um bom cruzamento e não criar bem este produto. Pois hoje, todo grande garanhão ou toda grande égua nasceram de cruzamentos certos e tiveram excelentes criações e treinamentos.


Fonte: www.abqm.com.br

Bruno Fritzsons Bonin
Medico Veterinário de Eqüinos
Residente no Guilherme Gregolin Services Center

sábado, 15 de agosto de 2009

Biotecnologias da Reprodução Aplicadas na Criação de Eqüinos


Pesquisas voltadas à reprodução assistida, como a inseminação artificial, congelação de sêmen e embriões, transferência de embriões (T.E.), transferência de oócito (T.O.), fertilização in vitro (F.I.V.), inseminação intracitoplasmática (I.C.I.S.) e transferência de gametas intra-falopiana (G.I.F.T.), no intuito de otimizar o ganho genético do criatorio nacional, têm despertado grande interesse entre criadores e associações de criadores de cavalos.

Essas tecnologias têm contribuído no incremento do potencial genético de animais de interesse zoo­técnico, na preservação de material genético de uma linhagem de animal ameaçada de extinção e bem como superar problemas de fertilidade.

No Brasil existem clínicas especializadas em fertilidade de eqüinos que, em conjunto com a Faculdade de Medicina e Veterinária da Universidade Estadual Paulista (UNESP), de Botucatu têm procurado auxiliar os criadores com novas biotecnologias, proporcionando assim a conservação e o ganho genético de uma raça.

Neste artigo, procuraremos abordar os principais avanços no mercado biotecnológico nacional da criação de cavalos e quais são as possíveis saídas para os problemas de fertilidade em garanhões.

Inseminação Artificial: o uso de sêmen congelado ou refrigerado

A inseminação artificial (I.A.) consiste em, após a obtenção do sêmen, depositá-lo no interior do trato genital (útero) da fêmea a ser inseminada. Esta tem sido utilizada principalmente para aumentar o número de produtos (potros) obtidos de um determinado garanhão e também como um meio alternativo, quando há impossibilidade de realizar uma monta natural por motivos diversos.

Um outro aspecto importante diz respeito à possibilidade de se transportar o sêmen, evitando dessa forma todos os problemas relacionados ao transporte de éguas com potro ao pé.

Entre as técnicas de I.A., temos a possibilidade da utilização de: sêmen fresco (A I.A. é feita imediatamente após a colheita do sêmen); sêmen refrigerado (O sêmen é armazenado por um tempo de 24 a 48 horas a uma temperatura entre 5ºC e 15ºC); e sêmen congelado (o sêmen é armazenado por tempo indeterminado a uma temperatura de -196ºC).

Há inúmeras vantagens na utilização das técnicas de refrigeração e congelação de sêmen eqüino. Entre elas, podemos ressaltar a agilidade no processo da inseminação artificial, devido ao rápido transporte de material genético de alta qualidade, o controle das doenças sexualmente transmissíveis e diminuição de custos com aquisição de garanhões superiores, razões suficientes para que a refrigeração e a congelação de sêmen estivesse sedimentada na rotina de muitos haras. Contudo, como qualquer técnica, deve ser aplicada por indivíduos com conhecimento adequado para implementá-la, o uso incorreto certamente trará efeitos contrário ao desejado.

Um novo impulso no interesse pelo uso do sêmen congelado e conseqüentemente nas pesquisas voltadas a solicitar os problemas relacionados à fertilidade e as suas aplicações, foi observado logo após a liberação das associações dos criadores de cavalos da raça Árabe e da associação americana da raça Quarto de Milha quanto ao uso destas biotécnicas. Hoje, das 60 associações de cavalos regis­trados nos E.U.A, 54 permitem o uso do sêmen congelado, por reconhecerem ser esta a melhor forma de seguro quanto a perdas futuras.

No Brasil, das 10 maiores associações de cavalos, seis permitem o uso do sêmen congelado, podendo ser destacado entre eles a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), que recentemente aprovou essa utilização.

Há inúmeras vantagens na utilização das técnicas de refrigeração e congelação de sêmen eqüino. Entre elas, podemos ressaltar a agilidade no processo da inseminação artificial, devido ao rápido transporte de material genético de alta qualidade, o controle das doenças sexualmente transmissíveis e diminuição de custos com aquisição de garanhões superiores, razões suficientes para que a refrigeração e a congelação de sêmen estivesse sedimentada na rotina de muitos haras.

Contudo, como qualquer técnica, deve ser aplicada por indivíduos com conhecimento adequado para implementá-la, o uso incorreto certamente trará efeitos contrário ao desejado.

Um novo impulso no interesse pelo uso do sêmen congelado e conseqüentemente nas pesquisas voltadas a solicitar os problemas

relacionados à fertilidade e as suas aplicações, foi observado logo após a liberação das associações dos criadores de cavalos da raça Árabe e da associação americana da raça Quarto de Milha quanto ao uso destas biotécnicas. Hoje, das 60 associações de cavalos regis­trados nos E.U.A, 54 permitem o uso do sêmen congelado, por reconhecerem ser esta a melhor forma de seguro quanto a perdas futuras.

No Brasil, das 10 maiores associações de cavalos, seis permitem o uso do sêmen congelado, podendo ser destacado entre eles a Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), que recentemente aprovou essa utilização.

O mais importante fator limitante do uso rotineiro do sêmen congelado de cavalos está relacionado à própria espécie, na qual uma grande parcela dos garanhões apresentam características de sêmen pós-descongelado inadequado para o uso.

Em estudos realizados pelo grupo de pesquisadores da UNESP-Botucatu, observou-se que entre 80 garanhões de diferentes raças, cerca de 50% das raças de Hipismo (Brasileiro de Hipismo, Hannoveriano, Holsteiner e Trakehner) e Quarto de Milha apresentam sêmen com bom padrão de motilidade pós-descongelamento. Para outras raças nacionais estudadas, como Mangalarga e Mangalarga Marchador, esses percentuais caiu para cerca de 20%, demonstrando haver um fator racial relacionado à resistência do sêmen ao processo de congelação.

Outra observação relevante é o fato de que, mesmo apresentando sêmen com boa preservação da motilidade, os resultados de fertilidade podem ser ruins. Ou seja, as técnicas de avaliação laboratorial rotineiramente utilizada não nos permitem predizer ou garantir fertilidade. Uma variação de 10 a 70% nos índices de fertilidade por ciclo tem sido observado para sêmen congelado de diferentes garanhões com uma média de 45% de gestação. Existe uma tendência a uma boa repetibilidade de resultados de fertilidade, ou seja, garanhões com alta fertilidade sempre apresentarão bons resultados.

Por outro lado, se faz necessário o desenvolvimento de técnicas alternativas de inseminação artificial que permitam um melhor aproveitamento do sêmen congelado em função da limitada capacidade de produção de doses por ejaculado (média 3 a 5 doses). Nos três últimos anos, têm-se estudado formas alternativas para a inseminação artificial com a utilização da histeroscopia e o uso de um modelo flexível de pipeta. Eles consistem em utilizar um baixo número de espermatozoides na junção útero-tubárica (local mais próximo que conseguimos depositar o sêmen para fertilizar o óvulo, sem um procedimento cirúrgico). Com esse procedimento, conseguimos multiplicar de 4 a 5 vezes o número de potros nascidos com apenas uma dose inseminante.

Pelas dificuldades encontradas em relação ao uso em larga escala do sêmen congelado, onde a variação da fertilidade associada à necessidade de realização de um controle folicular rígido, para que as inseminações sejam realizadas o mais próximo possível da ovulação, faz com que técnica de refrigeração de sêmen vem sendo rotineiramente utilizada para o transporte de sêmen.

A refrigeração e transporte de sêmen não são utilizados somente para transpor o problema da distância geográfica entre os haras, mas também para a prevenção de doenças que possam se disseminar com o trânsito de animais entre propriedades. Outro aspecto importante diz respeito a poupar potros de poucos dias de idade passarem pelo estresse da mudança de ambiente e de viagens prolongadas. Da mesma forma, a refrigeração de sêmen acelera o melhoramento genético, onde associada à transferência de embriões permite que uma égua seja utilizada com diferentes garanhões em uma mesma estação de monta, independentemente da distância entre eles.

Contudo, algumas limitações existem em relação ao uso rotineiro do sêmen refrigerado. A principal limitação diz respeito ao tempo de preservação pois, para que se garanta índices de fertilidade próximos aos obtidos com o uso do sêmen fresco, o tempo de refrigeração não deve ultrapassar a 24 horas. Diferentes experimentos foram realizados ao longo dos últimos 10 anos e muito pouco se evoluiu quanto à possibilidade de preservar a fertilidade das células espermáticas de eqüinos por um período de tempo superior a 24 horas.

Certamente, alguns reprodutores excepcionais apresentam sua fertilidade preservada por até 48 horas de armazenamento, pois similar ao sêmen congelado existem garanhões mais e menos resistentes ao processo de refrigeração. Obviamente, quanto mais tempo o sêmen eqüino possa ser estocado, mantendo também a fertilidade, maior flexibilidade teremos em coletar e enviar o sêmen. É importante enfatizar que a motilidade não é sempre um bom indicador da fertilidade no sêmen refrigerado e que as inseminações devem ser realizadas em um período de tempo máximo de 24 horas antes das ovulações.

Trabalhos demonstram que para garanhões com baixa resistência a refrigeração a centrifugação do sêmen, a retirada do plasma seminal é sempre benéfica, contudo para cavalos que refrigeram bem a centrifugação não traz nenhum benefício.

É importante enfatizar que, para a obtenção de bons índices de fertilidade, o sêmen depois de processado (coletado e diluído ao meio de manutenção do sêmen) deve ser acondicionado em recipientes especialmente desenvolvidos para esse fim.

Os recipientes devem obedecer às curvas de refrigeração já determinadas como adequadas. A temperatura de refrigeração ideal é a de 5ºC. Contudo, para determinados garanhões temperaturas próximas de 15ºC preservam a melhor motilidade espermática. É importante destacar que o sêmen preservado a 15ºC não pode ser armazenado por um período de tempo superior a 24 horas.

Existe no mercado Internacional um container denominado Equitainer, que propicia uma queda adequada de emperatura até 5ºC (leva aproximadamente 8 horas para atingir essa temperatura), permitindo manter o sêmen resfrigerado por até 48 horas. Ainda não há disponível no mercado sistemas que mantenham a temperatura a 15ºC.

No Brasil, já existem sistemas eficientes para transporte de sêmen eqüino, entre eles, o transporte a 15ºC (Botu-box, Max-Sêmen) e recentemente um outro para transporte a 5ºC (Botutainer). O sistema Botutainer segue a mesma curva de queda de temperatura do Equitainer (sistema americano) e se mostrou tão eficiente quanto a este na preservação da motilidade, bem como na proteção as variações de temperatura externa.

Em nosso país, também existem comercialmente quatro diluentes para diluição e transporte de sêmen eqüino (Equimix, Max-Sêmen, Botu-Sêmen e Botu-Turbo), meios que podem ser utilizados tanto para inseminação artificial de sêmen a fresco como refrigerado. O diluente Botu-Turbo é composto de estimulantes de motilidade que parecem melhorar a resistência a refrigeração (5º C) de sêmen de garanhões que apresentem baixa qualidade.

Produção “in-vitro” de Embriões

A fertilização in-vitro (FIV) permite a produção em laboratório de embriões de fêmeas que, por motivos diversos, estão impossibilitadas de naturalmente produzirem embriões. Contudo, sistemas empregados em outras espécies para produção de embriões (maturar oócitos, capacitar espermato­zóides e cultivar embriões) “in-vitro” não se adequam à espécie eqüina. Em outras espécies, como bovinos, a aplicação da FIV já resultou em centenas de milhares de produtos nascidos, sendo inclusive aplicada comercialmente em larga escala. Por outro lado, raros foram os produtos gerados até o momento através da FIV em eqüinos.

Em cavalos, os progressos envolvendo o estudo dos eventos precoces da fertilização têm sido lentos quando comparados a outras espécies de animais domésticos. Os índices de sucesso de etapas individuais que envolvem a produção in-vitro de embriões em eqüinos ainda estão longe de permitirem a utilização dessas técnicas em protocolos de rotina, como acontece em bovinos.

Os únicos potros nascidos, após procedimentos in-vitro no cavalo, são originados da fertilização de um oócito (óvulo de égua doadora) maturado in-vivo (dentro da própria égua), sendo posteriormente introduzido um único espermatozóide intracito­plasmático (dentro do oócito).

Essa “técnica denominada de ICSI” está sendo indicada além de éguas subférteis, para sêmen congelado de garanhões que possui baixa motilidade (10 - 20%) e que conseqüentemente tenham dificuldade de emprenhar uma égua. Visando contornar o problema da FIV, tem sido utilizado recentemente em maior escala em eqüinos a Transferência de Oócitos (TO), que consiste na retirada do oócito de uma égua de alto valor zootéc­nico, impossibilitada de produzir embriões, o qual será transferido para o oviduto (local de fertilização) de outra égua que será inseminada e gestará o potro.

Entretanto, mais uma vez a natureza impõe uma limitação à aplicação de uma biotecnologia na espécie eqüina, pois oócito de éguas idosas (com mais de 18 anos), as quais são as principais candidatas a TO, apresentam um baixo índice de fertilidade (aproximadamente 30%). Contudo, essa é a única técnica no momento viável para obtenção de produtos de éguas impossibilitadas de produzir embriões. Nessa técnica, os oócitos são aspirados via vaginal e transferidos via acesso cirúrgico pelo flanco para o oviduto de uma receptora. A égua receptora é inseminada do modo convencional (intra-uterino) antes e após a TO. Desta forma a maturação do oócito quanto a capacitação espermática, ou seja a fertilização, ocorre de forma natural.


Fonte: http://www.abqm.com.br